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Ano-novo

Arte: Ayhan Yildiz

“Começou o ano com o pé esquerdo? Não se preocupe, há pelo menos mais 14 dias de ano-novo ao redor do mundo para você escolher.” – revista New Scientist

Essa busca incessante por novos começos (sequentes recomeços) pode estabelecer novos rumos, maneiras de se transpor. Ou talvez crie lodo, pedras e tropeços. Recomeçar-se no começo. Há nexo em anexo. Os que veem um novo recomeço em 1.º de Janeiro são os países que adotaram o calendário gregoriano. Este instituído por Júlio César, em 46 AEC, e mantido por Papa Gregório durante a revisão do calendário em 1582. Uma vez que diferentes culturas criaram seus próprios sistemas de calendário, surgiram pelo menos 26 dias de ano-novo. Dos que ainda existem, os que se mantiveram de pé ante a constante inquietação humana, o sistema chinês é o mais antigo. Para os chineses, o ano-novo este ano cairá no dia 26 de Janeiro. Outro exemplo é o calendário muçulmano, totalmente lunar, que também terá a sua própria data: 14 de Março.

Será que recomeços se aliam ao calendário?

TÚNEL DO TEMPO

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Em 26/01/1970: Em um único dia, um único 26 de Janeiro, John Lennon compõe, grava e mixa seu então novo single, “Instant Karma”. Gênio é pouco!

John mencionou à impressa que compôs a canção durante o café-da-manhã, gravou durante o almoço e mixou durante o jantar. De suas obras solo, Instant Karma é uma das 3 a ocupar o Galeria da Fama do Rock and Roll (junto com Imagine e Give Peace a Chance).

Receita para combater o tédio e a imprecisão de dias nulos: Instant Karma.

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CURRICULUM VITAE


NOME COMPLETO: Conficker Downadup

DATA DE NASCIMENTO: Outubro/2008

CONTATO: www.cliqueaquieteferrobabaca.exe

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HISTÓRICO PROFISSIONAL: Possuo experiência na área de bloqueio de entrada de usuários em redes; criação de pastas sem interferência do usuário; falhas no Windows Defender, entre outras tarefas. Tenho em meu breve, porém impressionante currículo, a proeza de infectar 1,1 milhão de computadores em apenas 24 horas. Até o momento, conforme dados oficiais, o número passa de 5 milhões. Possuo larga experiência ao redor do mundo, atuando simultaneamente em países como EUA, França, Reino Unido, Brasil e Malásia.

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INTERESSES: Redes do Windows 2000, XP e 2003.

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CARTA DE APRESENTAÇÃO:

Prezados Senhores,

Estou longe de ser um sistema estagnado, inerte, sem brilho. Como prova consensual do meu dinamismo, possuo três variantes: A, B e C, sendo as variantes B e C usadas basicamente para me difundir em sistemas com senhas fracas.

Dado ao amplo uso de e-mails e pendrives, utilizo principalmente tais mecanismos para me colocar à disposição dos computadores, prestando meu humilde serviço.

Se contratado para atuar em sua rede doméstica ou empresarial, prometo esforçar-me em interferir em todos os pacotes trafegados, em sua rede.

Sem mais, declaro a veracidade do acima mencionado.

Atenciosamente,

Conficker Downadup

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Se eles soubessem o que significava aquela merda toda, teriam esbravejado: “Maldita Salmonella Typhi”. Ao menos, uma oportunidade de protesto. Raros momentos. Raros, por vezes, tão intensos. Nessa raridade histórica, os mais diversos fatores contribuem (ou não) para vitórias, lampejos de luz, ou para fracassos anunciados no brilho fosco de um olhar.

De um lado, o exército ateniense. A inclinação à vitória. A supremacia da cidade-estado, outrora aristocrata, e então, democrática. Seus cidadãos masculinos, 43 mil. Do outro lado, o loser helênico, Esparta, com seus débeis 5 mil. Na guerra entre as duas cidades, deu Esparta na cabeça. O loser e a oportunidade há tanto aguardada. Nem táticas de guerra, nem tecnologia, nem a bravura de espartanos. O fator decisivo para tal zebra grega (ou deveria dizer, bactéria grega) foi uma peste que se alastrou em Atenas. Ah, os raros momentos. Aqueles que fazem toda a diferença. E tão intensos como lacunas existenciais preenchidas. Posso imaginar um moribundo ateniense caído ao chão, manchas rosadas sobre a pele, hemorragia nasal, em derradeiro choque séptico, amparado por um achegado concidadão, que momentos antes do seu último suspiro, sussurra: “Véio, ferrou!”.

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Arte: Sattu Rodrigues

Tucídides (famoso pela exatidão de seus textos), em seu livro História da Guerra Peloponense, menciona a tal peste, anônima, fugitiva, obscura, enigmática. Uma bactéria? Um vírus? Quais dentre essa safra interminável de agentes patológicos? Ela passou incólume durante mais de 2400 anos. Mas agora, finalmente, ela foi identificada e encaminhada ao banco dos réus. Segundo a revista canadense Maclean’s, pesquisadores analisaram a polpa dentária dos restos mortais dos atenienses, que pode preservar agentes patogênicos por séculos, permitindo assim identificar o assassino misterioso como sendo a Salmonella Typhi, responsável pela febre tifóide.

Os descendentes dos bravos atenienses, que só perderam a guerra por causa da peste, podem agora, finalmente, descansar em paz.

Ainda que despreocupado, escrevo. Talvez por isso (e somente por isso), escrevo. Tal qual uma sina constante – a frequência me deixa sonolento, o próximo desistente. A busca por uma reação perfeita. Busca sem fim, atos sem fim. Enfrentando fantasmas, enfrentando essências que se fatigam com uma facilidade assombrosa (como se sentir cansado de estar cansado). E projetos bloguísticos desaparecem em menos de um mês… (e que diferença faria se, de uma forma menos fatídica, aqui permanecessem?).

Em cada esquina, o seu próprio louco. Há regras, e há meios. Deixarei que os caminhos se figurem, porém, que jamais estáticos. Antes que o brilho tosco no espelho do banheiro se apague de vez, tentarei encontrar uma nova cena, pessoas Comuns, um sonho ideal e perfeito como Elise McKenna, em meio a essa profusão de informação.