É tarde demais para se recompor, Messina. Tarde demais. Foi o que pensei. Qualquer epagômeno se contorceria, trêmulo, no chão gélido daquela masmorra, como me contorci. Qualquer desavisado choraria como uma criança, tentando tatear feixes de luz na mais completa escuridão, como eu tantas vezes chorei. Qualquer miserável urraria ao perceber os últimos instantes de oxigênio se perderem no vácuo da finitude, como eu tantas vezes urrei. E foi em um desses momentos inaptos, talvez o que se provaria derradeiro, me entreguei de joelhos, o corpo recurvado, a mente anuviada, a pele e sonhos decompostos. Na precisão de um segundo eternidade, disse: “Tarde demais para se recompor”. Então, elas bateram à porta. Dissipado, exaurido, disforme – um último clamor, uma última chance. “Arraste-se!”. Me arrastei. Quando abri a porta, os dois sorrisos – os feixes de luz. Bastaram-me. Antes que pudessem me dizer qualquer coisa, sorri. Já não mais me esforçando tanto para me mover, não tanto quanto o fizera para respirar, estendi-lhes a mão e sussurrei:
- Muito prazer. Me chamo Lucas Messina.